domingo, 8 de março de 2026

 

Clara Déda na Câmara Municipal de Simão Dias.

Na última quarta-feira, 04 de março, estive rapidamente em Simão Dias para abraçar minha sobrinha Clara Déda e presenciar sua posse como Vereadora na Câmara Municipal.

A posse ocorreu na noite daquele dia, em sessão bem concorrida, realizada no Plenário da Câmara, com a presença de todos os vereadores, do Prefeito Municipal, de políticos, familiares e pessoas amigas da nova vereadora.

A posse de Clara Déda na Câmara de Simão Dias.


Clara assumiu a vaga do Vereador Rogério Nunes, que passou a exercer a função de Chefe de Gabinete do Prefeito Cristiano Viana. Na sua primeira fala como vereadora, ela declarou que alegremente assumia o mandato com gratidão no coração e reafirmou seu compromisso de defender o povo de sua terra. Com sua posse, a bancada feminina da Câmara Municipal passou a contar com três representantes femininas: Clara (PT), Iraildes (Mobiliza) e Daniela (PP).

Não é demais dizer que acreditamos plenamente no sucesso de Clara, por sua inteligência, sua criatividade e sua força de vontade. Não temos dúvida de que ela lutará em benefício de todos nossos conterrâneos e que, de modo especial, defenderá aqueles que necessitam de maior proteção. 


Meu abraço especial para a querida sobrinha/neta, com votos de sucesso.

Aracaju, 08/03/2026

BETO DEDA


sábado, 28 de fevereiro de 2026

 

Um ilustre conterrâneo nos deixou e passou a conviver com nossos saudosos familiares na paz celestial.

No decorrer deste mês que se encerra, dia 13, vítima de um acidente de trânsito, o querido parente Antônio Gonçalves Filho viajou para a paz celestial. Ele era um simãodiense que vivia e trabalhava em Aracaju, reconhecido como talentoso artesão. Inteligente, criativo, chistoso, esbanjava alegria e sabia cativar amizades.

Ele nasceu em 11 de janeiro de 1951, em Simão Dias. Era filho do casal Antônio Gonçalves, conhecido como Tonho de Quincas, e Lindonor Déda, conhecida como Nô Déda.  Cursou o Grupo Escolar Fausto Cardoso e concluiu o curso ginasial no antigo Ginásio Industrial, o atual Ginásio Milton Dortas.  Tive a honra de ser seu professor, lá pelos anos 1960. Naquela época já notava sua inteligência, seu interesse pelas artes e o dom do riso fácil.

Tínhamos uma interessante união familiar: a mãe dele, era minha prima; o pai dele era primo de minha esposa.  

Ele costumava expor seu artesanato nos Shoppings. Quando o encontrava por lá, a conversa durava, vivíamos momentos de alegria, repassando lembranças. O seu ponto preferido era o Restaurante Mangará, aqui em Aracaju.

Foi com sua arte a decoração de parte do referido Restaurante que, reconhecendo seu talento, prestou-lhe uma bonita homenagem em vídeo entrevista, no Dia da Sergipanidade. E, em 14 do corrente, postou em sua página no Facebook:

"Hoje o Mangará permanece em silêncio. Em respeito e em memória de Seu Antônio Deda, nosso querido Antônio Candeeiro, não abriremos as portas neste dia.


"Artesão de mãos sábias e coração generoso, ele ajudou a fazer o Mangará brilhar, transformando matéria em significado, detalhe em memória, presença em identidade. Em cada peça, deixou seu olhar, seu cuidado e sua delicadeza — marcas que permanecerão vivas em nossa casa e em nossa história."

Sua arte também está representada nos bonecos que decoram a frente do Museu da Gente Sergipana.

Toinho de Nô, como era conhecido entre os familiares, cultivou com inteligência a arte de seus encentrais, especialmente de minha tia Ester Déda, sua avó materna.

Ao ilustre familiar e conterrâneo fica aqui registrado que ele continua imortal no imaginário cofre de meu coração. 

Que os nossos ancestrais o recebam na paz celestial e, com a alegria e risos que lhes eram peculiares, ele repasse as notícias dos que aqui ficaram, aguardando participarem de futuro encontro.


Aracaju, 28 de fevereiro 2026

Beto Déda

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

 

Escapando da frustração, tal qual a fina areia da Praça São João escoava entre os dedos de minha mão...


No centro da antiga e arborizada Praça São João, em Simão Dias, tinha um local onde, diariamente lá pelos anos 50, jogávamos bola. Era uma pequena área livre entre diversas árvores do parque e que, em consequência da pisada constante da garotada, se transformou em um campinho de areia fina.

Aquela praça ou parque era o ponto de reunião da meninada que residia na circunvizinhança. A maioria da garotada gostava de jogar bola (bolas de borracha, bolas de meia, velhas pelotas ou couraças e também com bolas de bexigas de boi, que pegávamos no matadouro municipal que ficava próximo.   

Recordo-me, agora, de uma manhã de domingo, quando aconteceu uma programada partida entre nossa turma e os colegas do bairro Bonfim. Era uma disputa importante entre times rivais e todos tinham interesse em participar da pelada.

Pois bem. Naquele domingo especial, não sei porque razão ou motivo, atrasei-me. Quando chequei no local, o grande “match” já tinha começado. Fiquei de fora, curtindo uma fossa desgraçada. Sentei-me próximo à linha do jogo, na sombra de um tamarindeiro, e frustrado, com as mãos apoiando o queixo, acompanhei de soslaio o movimento dos “players”. 

Amargurado e triste, peguei – inexplicavelmente – um pouco da fina areia da margem do campinho de pelada e senti que ela escapava rapidamente entre meus dedos, soltando poeira. Então, naquele momento, como se recebesse uma lição transcendental, pensei e gravei para sempre em minha memória que, da mesma forma que a areia fina escoava de minhas mãos, deveríamos deixar escapar de nossa mente as lembranças de fatos perturbadores.

 

Areia fina do campinho escoando entre os dedos.

 Acredito que naquele momento recebi um toque espiritual marcante, que não anulou, nem anula, meus sentimentos de dor, de tristeza ou melancolia, mas que tem o dom de amenizar as vicissitudes da vida e me conceder forças para enfrentá-las e seguir em frente, cuidando de novos desafios

Assim matutando, desviei meu pensamento da pelada, e fui brincar com bolas de gude, um jogo que chamávamos de “marraio”, em companhia dos amigos Simão de Seu Antônio Gomes e Sorrindo, o pipoqueiro. E apostávamos bolas de gude, estampas do sabonete Eucalol, ou as capas dos maços de cigarro Astória e Hollywood. E assim, superei a frustração e outras peladas surgiram...

Nas noites insones dos dias atuais, quando os pensamentos negativos batem à porta de minha mente, valho-me da velha e bendita lição e faço escoar os queixumes, do mesmo modo que fluiu de minhas mãos a fina areia do campinho de pelada do Parque de minha terra. 

O ensinamento continua sendo lembrado, mas não é tão fácil aplicá-lo. Muitas vezes ficamos de tal forma amargurados que nossa mente insiste em não se livrar.  Então, é preciso força para ir em frente e cuidar de novos desafios. Tudo na vida são momentos, quer de alegria ou tristeza, mas não devemos esquecer que TUDO PASSA.

E para concluir, transcrevo o que psicografou Chico Xavier e que reforça este meu meditar:


E a vida continua...

Aracaju, 20/02/2026

Beto Déda




quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

 

Recordações da Rua João Pessoa.

 

Nos anos 50 e 60 do século passado, o centro comercial de Aracaju se  concentrava na Rua João Pessoa. Ali estavam as principais lojas, livrarias, cinemas e casas de lanches de nossa capital.

Lembro-me de algumas: “A Loja 4 e 400”, a "Livraria Regina", a "Joalheria Safira",  "A Moda" (no Edifício Mayara), "A Esquina da Economia", a "Loja P. Franco e Cia", a "Lanchonete Nossa Senhora do Socorro", o "Ponto Chic”,   o Hotel Marozzi,  e os cinemas Palace e Rio Branco.  O nome destas casas comerciais estão preservadas em minha memória em consequência de fatos que presenciei quando era garoto.   

 

A  “Loja 4 e 400” era o nome popular das Lojas Brasileiras, que foi, se não me engano,  a primeira loja de departamentos em nossa capital. Lembro-me que foi lá que, certa vez, meu pai me presentou com um brinquedo muito em voga na época: um estojo com soldadinhos de chumbo.  Antigamente muitos brinquedos eram fabricados com chumbo e amianto, materiais que anos depois foram considerados impróprios para tais usos, por serem nocivos à saúde. No lugar de chumbo e amianto  surgiram os brinquedos de plástico, ou no linguajar de então: brinquedos de matéria plástica.

Imagem do "Blog Minha Terra é Sergipe" de Armando Maynard


A Livraria Regina era o ponto de encontro dos intelectuais. Além do comércio de livros, ali também funcionava uma editora. Na oficina gráfica daquela livraria foram editadas, em 1967, as primeiras edições dos livros escritos por meu pai: “Brefáias e Burundangas do Folclore Sergipano” e “Simão Dias – Fragmentos de sua História”.  

 

Foto obtido no blog de Armando Maynard (Acervo de Indianara Melo Mota)



O “Ponto Chic”, ficava em frente ao oitão da Igreja São Salvador, e na esquina com a Rua Laranjeiras, no prédio que atualmente funciona a Delegacia Regional do Trabalho. Era um salão com muitas mesas e cadeiras, onde eram servidos café, sorvete e lanches; o local preferido por políticos,  intelectuais, artistas e estudantes da época.  Lembro-me da presença constante do pintor J. Inácio naquele local; foi ele que desenhou o rosto de meu pai, Carvalho Déda, e de meu irmão,  Artur Oscar. O pintor J. Inácio, ao traçar a caricatura de Artur, evidenciou ironicamente o “pomo-de-Adão”. Meu pai, ao ver o desenho, brincou com meu irmão, que cursava o quarto ano do curso de Direito,  escrevendo  ao lado o poema repentista:

“Na cara desse sujeito,
Vejo um mundo de Direito.
Na testa bem abaulada  
Reside toda a ciência,
Doutrina, jurisprudência:
Burrice pura e mais nada”
 
“Vejo no pau do nariz
A expressão bem feliz
De um aluno mediano,
Que graças a um estalo
No juízo de Gonçalo
Conquistou o quarto ano.”
 
“Bem no alto da gravata,
A natureza ingrata,
Por erro crasso ou preguiça.
Fez do gogó um umbigo
E depois disse consigo:
- É a borla da Justiça.”

 

foto do local onde funcionou o Ponto Chic (blog do Armando Maynard)

Também no final dos anos 50, quando eu e alguns colegas de Simão Dias iniciamos nossos estudos aqui em Aracaju, fomos tomar sorvete no Ponto Chic. Não é demais dizer que para nós, estudantes interioranos, foi um memorável acontecimento que ocupou nossos comentários durante a semana. Nessas conversas alegres eu falei, em tom de brincadeira, que enquanto escolhíamos sorvetes, um colega pediu um bolachão e uma cocada, lembrando de nossas preferências no torrão natal. O amigo não gostou do chiste, achou que eu o teria constrangido. Resultado: sem aceitar minha explicação de que não tive intenção de ofendê-lo, o colega ficou muito tempo sem falar comigo. Fiquei triste, vez que a simples lembrança dos petiscos de nossa terra -  o bolachão da Padaria Seu Oscar Rocha e a cocada de Dona Maria Itabaiana -  ainda hoje me deixa com água na boca. 

Outra lembrança daquela rua, foi uma confusão envolvendo um  deputado do interior,  conhecido como  Militão. Aconteceu uma discursão forte entre o referido deputado e um guarda de trânsito. Quase entram em agressões físicas. Para afrontar o guarda, o deputado estacionou sua camioneta em frente ao Ponto Chic, travando o trânsito. Foi uma confusão danada, até revólver diziam que apareceu. Ao saber disso,  saí do tumulto apavorado, apelando para “as pernas para que te quero”. Até hoje não sei o que  realmente aconteceu no final daquela briga.

A “Esquina da Economia”, era uma loja de calçados pertencente ao meu tio Paulo Déda. Ali ele vendia produtos finos, do sul do país, e também os de sua fábrica de calçados,  denominada “Sidon”. Os balconistas da sapataria, para dar melhor impressão aos clientes, pronunciavam  o nome da  marca de forma charmosa, como se fosse uma palavra inglesa e afirmavam com seriedade: - "Estes são os famosos  calçados da indústria Sáidon".

Propaganda da  Esquina da Economia


Do Hotel Marozzi, recordo-me que ali ficou hospedado o time do Flamengo. O atleta mais procurado para pedidos de autógrafos era o baixinho chamado Babá, que jogava na ponta-esquerda e não obstante sua baixa estatura (1,54m) era um craque goleador. Naquela época eu já torcia pelo Mengo, e não perdi a oportunidade: também colhi um autógrafo de craque baixinho. 

Panfleto do Hotel Marozzi (Imagem da Internet -Google)


O Cine Teatro Rio Branco me lembra um fato engraçado. Houve um tempo que aquele cinema exibia filmes pornôs e era frequentado por estudantes, a maioria do Colégio Atheneu. Certa tarde, um conhecido professor, talvez por engano, estava tranquilamente assistindo a um filme de safadeza. Um estudante gaiato reconheceu o professor e gritou: - "Olha quem está ali, com sua careca reluzente”, e citava o nome do professor. A estudantada fez ecoar a zombaria, gritando o nome do professor que, desconfiado e  segurando sua pastinha, sorrateiramente se picou do cinema, ouvindo a molecada apupar: "-Baixinho, careca e gosta de ver sacanagem!"

Nas noites dos dias de domingo, as lojas abriam as portas para mostrarem em suas vitrines os artigos para venda. A rua era bem frequentada, as pessoas gostavam de visitar as lojas  para ver as novidades e depois iam ao Cinema Palace.  O point dos jovens era nos jardins da praça Fausto Cardoso. Bons tempos!

Cine Palace (imagem do Blog :"Minha Terra é Sergipe de Armando Maynard)


Também naquela artéria, aconteceu outro fato memorável.  Ali era permitido o movimento de automóveis. O número maior era  dos carros da Volkswagen, os fusquinhas. Lembro-me de um causo que aconteceu com o Prof. Barretão, um  cientista sergipano que era conhecido por seu modo sincero, muito positivo, ao lidar com as pessoas. Em uma tarde de domingo, ele trafegava com seu fusca pela Rua João Pessoa e tinha pressa, porque iria atender uma paciente que precisava, com urgência, realizar exames de saúde. Aproximando-se da esquina da rua, notou em sua frente  outro carro dirigido por um jovem, que sem pressa, quase parando, acenava para  garotas que estavam na fila do Cine Palace. O Professor Barretão buzinou, pedindo pressa, mas o moço não atendeu; pelo contrário, colocou o braço pra fora do carro, indicando que passasse por cima. O professor, olhou bem para o atrevido, coçou seu vasto bigode, encostou o para-choque de seu fusca no carro do playboy e acelerou. Foi um ranger de pneus, com muita fumaça e barulho. O fusca amarelo do professor empurrou o carrinho do maçante garoto que foi ridiculamente arrastado  sob os apupos das pessoas que estavam na fila do cinema. E o playboy aprendeu a não caçoar de quem não conhece.

Essas são ligeiras lembranças do meu tempo de estudante na acolhedora Aracaju.


Aracaju, 29/01/2026

Beto Déda