segunda-feira, 9 de outubro de 2023

 

O adeus a Haroldo Déda

 

Nas primeiras horas de quinta-feira passada, dia 05 de outubro, sentimos repetir em nossos corações a dor da saudade. Desta feita foi a despedida do querido Haroldo Anderson Déda, que passou para a vida eterna. Ele tinha 92 anos de idade, era filho de meus tios Paulo e Francisquinha Déda e era viúvo de minha inesquecível irmã Maura Oliveira Déda, que falecera em 18 de fevereiro deste ano.

 

Haroldo Anderson Déda 

A dor da saudade foi recorrente entre nossos familiares, no decorrer destes últimos meses. Numa sequência dolorosa, nos reunimos em velórios de Maura Déda, em 18-02-2023, de Heraldo Déda, em 14.08.2023, de Harildo Déda, em 19.09.2023, e, no último dia 5, o de Haroldo.  

Haroldo nasceu em Simão Dias, onde estudou suas primeiras leituras, depois foi aluno interno do colégio Dois de Julho, em Salvador. Serviu ao Exército Brasileiro e, ainda jovem, começou a trabalhar, auxiliando seu pai na loja de calçados e curtume Sidon. Com a aposentadoria de seu pai, assumiu a direção da Indústria de Calçados Sidon, que funcionava no bairro Siqueira Campos, aqui em Aracaju. Sentiu profundamente seu sonho se desfazer, diante da forte concorrência (dumping) de potentes indústrias de calçados do sul do país.  Teve que abandonar a atividade como industrial.

Homem de idoneidade invejável, cumpridor firme de propósitos, prestou serviços ao município de Aracaju.

Durante sua vida, nunca esqueceu sua fé cristã e a Igreja Presbiteriana que frequentou enquanto viveu em Simão Dias. No seu velório, a Pastora e orientadora espiritual fez um encantador culto, com emocionantes cânticos de fé.

Tive a alegria de conviver com Haroldo e Maura por um longo período de minha juventude. Para mim. eles foram como meus segundos pais.

Até poucos anos, a distração do querido Haroldo era ouvir canções antigas. E sentia prazer em nos presentear com maravilhosos discos. Gostava de sambas de breque e eu costumava fazer dueto com ele, cantando as músicas de Moreira da Silva. Ele tinha um repertório imenso, que depois doou aos parentes.

Na verdade, esse querido – que partiu para abraçar os parentes que estão no outro patamar da vida – continuará conosco e reviverá sempre em nossas alegres lembranças.

Que Deus abençoe e suavize a dor da saudade dos meus queridos sobrinhos-irmãos: Paulinho, Haroldinho, João, Malô e Francisca.

Aracaju, 09/10/2023

Beto Déda

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

 

Um inesquecível texto escrito por meu pai.

 

 

 

Nestes últimos dias, recuperando-me de uma leve entorse no pé, fiquei repousando em  casa. E preencho meu tempo lendo alguns livros e, principalmente, relendo textos escritos por meu saudoso pai.  Assim é que me deparei com uma pitoresca estória que ele escreveu sobre o sepultamento de um oficial da Guarda Nacional.

 

Carvalho Déda na redação do jornal "A Semana".


Recordo-me, como se fosse hoje, a cativante forma como meu pai contou-me aquele fato. Ele estava sentado em frente à sua máquina de datilografia e, depois da narrativa, percebendo meu incontrolável sorriso, ele escreveu o texto que foi publicado na edição do jornal “A Semana”, edição de 16 de julho de 1966. Já reli várias vezes essa lembrança, e o sorriso se repete.

 

Como é do meu feitio compartilhar com parentes e amigos minhas emoções, posto a seguir o referido texto.

 

 

“VÔTE, SEU ALFERES!

 

Escrito por Carvalho Déda

 

Eu devia ter quinze anos de idade, quando assisti, ali na então Vila do Coité, do vizinho Estado da Bahia, a uma tragicomédia.

Vítima de terrível indigestão, falecera, na véspera, o honrado Alferes Raimundo Santos, mais conhecido por Alferes Raimundo Pé-de-Ferro. Era um oficial da Guarda Nacional e residia no lugar “Trambeque”, a cerca de três léguas de distância da Vila, onde ocorrera o sepultamento.

Causou estranheza o fato de o corpo não ter sido levado diretamente para a Igreja, onde receberia a “encomendação” a que fazia jus sua alma de bom católico e homem de bem. Nem ao menos fora levado diretamente para o cemitério. Foi levado para a oficina do marceneiro Chico Vitor. Os donos do defunto explicaram: – para consertar a tampa do caixão que não fechava.

O marceneiro Chico Vítor, de mangas arregaçadas, óculos na ponta do nariz, careca morena polida, foi tomando as novas medidas para o remendo da urna mortuária. Foi quando vi a cena que se agarrou para sempre na minha retina de menino curioso. O finado alferes Raimundo dentro do esquife apresentava uma inchação exagerada, que impedia o fechamento da urna, feita de boa peroba. Com sua farda de alferes da “briosa”, o defunto, notadamente a barriga, crescia em sentido vertical. A calça já não alcançava o volumoso ventre onde os gases da indigestão se acumulavam, nem ao menos cobria os bordados vermelhos de pé-de-galinha, na alva ceroula de algodão. A vistosa túnica azul marinho, de botões e alamares dourados, andavam muito longe de abotoar, deixando nua a barriga de um moreno liso de peles esticadas, ameaçando estourar.

O Alferes morrera empanzinado e a cada minuto que passava a barriga ia crescendo, lotada de gases, impedindo que a tampa do caixa funcionasse.

Enquanto o marceneiro cuidava da nova tampa, a vistosa fardeta do defunto ia despertando a curiosidade popular. E foi juntando gente. Foi quando apareceu o saldado de polícia Osório dos Santos, um sarará que era a única peça militar do destacamento local.

Quando o saldado viu o defunto fardado, empertigou-se, trepou-se nos seus calcanhares e fez a continência disciplinar. Em seguida, determinou, com autoridade: - o enfermo fica embargado. Tem direito às honras militares e eu vou preparar a “companhia de guerra”.

Ele mesmo, sozinho, era o único soldado que compunha a “companhia de guerra” para as continências fúnebres indispensáveis. E saiu para as providências.

Afinal, o mestre Chico Vítor declarou corrigida a tampa do esquife, que foi fechado e conduzido com grande acompanhamento de curiosos para o cemitério, onde seria aguardada a “companhia de guerra”. E lá vai, a passo triste, o enterro do alferes. No cocuruto da tampa do caixão, o quepe de oficial com a sua pala preta de oleado e os seus bordados amarelos.

No cemitério, para que corresse alguma “viração” no cadáver, o caixão foi descoberto. O sol nordestino, mais quente às onze horas, incidia impiedosamente na barriga inchada do defunto.

A “companhia de guerra” demorava, mas a demora era justificável, pois o soldado Osório, como único responsável pela cerimônia, ainda estava dando a última “mão de kaol” no material de guerra: botões da túnica, cabo de latão do refle “rabo-de-galo” e fivela do cinto com “patrona” de sola.

Por fim, a “companhia” foi chegando. O soldado, com sua farda azul surrada, refle balançando na cintura, “comblain” ao ombro, marchava sozinho, mas garbosamente, sob o seu próprio comando. Ao chegar em frente ao caixão fúnebre, comandou-se, com bossa militar: - Alto! Deu um passo à retaguarda, tomando posição de atirador. O suor corria abundante pelo seu rosto cor de manga-rosa. Olhando para a assistência, comandou-se: - Companhia, atenção! Fôôô…go!...

Chico Vítor, Silvestre fiscal e Mestre Xandu tamparam os ouvidos e fecharam os olhos para quebrar a esperada violência do tiro de festim. Mas a carabina do soldado fez “quê-crêfo”, negou fogo! O soldado explicou: - Cartucho velho e uma desgroja repetiu a munição fria, resto da guerra do Paraguai!...Não desanimou, porém, e brado de comando: -Companhia! Fô ô go! A carabina tornou a “mentir fogo”, mas, justamente neste momento, por uma coincidência triste, ouviu-se um estranho estampido fofo, que não partiu da arma do soldado, mas do próprio defunto. O estranho estampido foi seguido de um terrível fedor que encheu o cemitério. Chico Vítor, Silvestre e Mestre Xandu tiraram os dedos dos ouvidos e taparam as narinas.

A barriga do Alferes havia estourado! Com violência, dos gases acumulados, substituíram, na cerimônia, a velha “comblain” do disciplinado soldado. A barriga do defunto estourou pelo lugar próprio.

O soldado, que era ele sozinho a sui generis “companhia de guerra”, vermelho como uma baeta, suando como tampa de chaleira, jogou a carabina ao chão, tapou o nariz e exclamou fanhoso: - ‘Vôte’, seu Alferes!...”

     (Texto de Carvalho Déda – jornal “A Semana”, edição de 16.07.1966).

  

Depois desta leitura, espero que não tenha lhe faltado um bom sorriso.

 

Aracaju, 02/10/2023

Beto Déda

terça-feira, 19 de setembro de 2023

 



Saudade de um ilustre simãodiense: Harildo Déda



Mais uma vez a saudade nos atingiu. Nesta manhã, os noticiários informaram a partida de mais um ilustre simãodiense: Harildo Déda. Ele passou para a eternidade e agora vai reviver em nossas lembranças e na História do Teatro da Bahia.

Harildo Déda

Harildo nasceu em Simão Dias, no dia 3 de novembro de 1939. Era meu primo, filho dos tios Paulo Silveira Déda e Francisca Esteves Déda.

Ainda garoto, com 12 anos de idade, foi estudar em Salvador, no internato do Colégio Dois de Julho. E ficou na Bahia e de lá não saiu, dedicando-se às artes cênicas.  Sem nunca negar sua origem de sergipano e simãodiense, passou a ser “cidadão soteropolitano, por honraria, mérito e decreto datado de 2003”.

No livro “Harildo Déda- a matéria dos sonhos”, da autoria de Luiz Marfuz & Raimundo Matos de Leão, na última página, ele sentenciava:  

          “Um dia desses, me fizeram uma pergunta: se você deixasse de fazer teatro, continuaria vivo? No meu romantismo, achava que não. Hoje digo: ‘É uma pena deixar de fazer, mas eu continuo vivo, sem meu braço, sem uma perna, mas vivo’, Lutero já dizia: ‘mas eu continuo de pé’; eu continuo fazendo teatro”.

Há alguns dias, o Harildo esteve em Sergipe, conhecendo o Museu Virtual Enedina Chagas em Simão Dias, que foi inaugurado em dezembro do ano passado e que teve a colaboração artística dele. 


  
                              
        Harildo Déda no Museu de Simão Dias, com Ézio Déda e com Amanda Santos 


Hoje é um dia de justa homenagem ao ilustre professor, ator e diretor teatral.


Continuarei fã deste notável e querido primo.


Rogo ao bom Deus que conforte seus irmãos: Haroldo, Haroldina, Anísia, Paulo César e Humberto Déda.

Aracaju, 19/09/2023

BETO DÉDA

sábado, 9 de setembro de 2023

 

A posse de Ézio Déda na Academia Sergipana de Letras.





Na próxima quarta-feira, dia 13 de setembro, acontecerá a posse de mais um imortal na Academia Sergipana de Letras. E desta feita é o simãodiense ÉZIO DÉDA, que se destaca como intelectual, escritor, arquiteto, professor e grande divulgador da cultura sergipana.

Ézio Déda


Como escritor, Ézio é autor dos livros: “Arvore das Folhas Caducas" (2001) – apresentado pelas cantora Maria Betânia -, e “A Casa das Ausências”, com a participação de várias personalidades, publicado em 2010.



O novo imortal da Academia Sergipana de Letras, além de escritor e poeta, também é um cuidadoso arquiteto que cuida da memória de Sergipe.



Como arquiteto e responsável pelo Instituto Banese, realizou os seguintes projetos culturais: o Museu da Gente Sergipana e o Largo da Gente Sergipana, em Aracaju, e, recentemente, O Centro de Memória Digital Profª Enedina Chagas e o Clube Cultural Caiçara, na cidade de Simão Dias.



A solenidade da merecida posse de Ézio ocorrerá na próxima quarta-feira, às 18:00 horas, no Museu da Gente Sergipana, aqui em Aracaju.



Lá estarei abraçando o querido primo e conterrâneo.



E convido todos os parentes e amigos para o alegre encontro.



Aracaju, 09\09\2023

Beto Déda





quarta-feira, 23 de agosto de 2023

 

Atendendo às constantes reclamações...

 

E para não perder o humor, encontrei um meio de evitar as reiteradas reclamações.

Com o avançar dos anos, já idosos, para não usar o termo “velhos” – considerado por muitos como pejorativo - recebemos reclamações diárias, por mim consideradas intoleráveis: “Não faça isto, evite dizer aquilo, deixe de conversas bobas...”   E segue uma ladainha de indefectíveis restrições.

Mas, tem uma delas que é insuperável e repetitiva:

- “Não molhe o chão do banheiro! “.

Justo sobre essa queixa de não molhar o banheiro é que passo a refletir nesse momento. E procurando dar um basta a tais admoestações, recentemente encontrei a solução.

E quem, involuntariamente, me auxilia nesse intento é o colega aposentado do BNB, José Nilton Fernandes, genial escritor da cidade de Aracati, que reside em Fortaleza.

Recentemente o Zé Nilton compartilhou em sua página no Facebook uma foto do site “Ideias Incríveis e Geniais”, com o título: Quero ver errar agora... e que eu aproveito e, também, reproduzo aqui.

O projeto que denominei "MIJODUTO".


A ideia é realmente formidável. Usarei meus dotes de artesão para realizar e usar o projeto que denomino de “Mijoduto”. Assim, ficarei livre de - pelo menos - uma das diversas queixas.

E o conselho vai também para aqueles que querem se livrar de tais reclamações diárias.  

Um bom riso não maltrata ninguém. Né? Então sorria...

Aracaju, 23/08/2023

Beto Déda

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

 

O primo Heraldo Déda nos deixou…


No dia 14 deste mês, nossa família sentiu novamente a dor da saudade: o querido primo Heraldo Déda passou para o outro plano da vida. Deixou para os que conviveram com ele um montão de boas recordações.

Na sexta-feira, dia 11, ele sofreu um AVC, foi hospitalizado, mas não resistiu. Sua despedida ocorreu na segunda-feira, um dia após a data dedicada aos pais.

Heraldo tinha 81 anos, era mais novo do que eu, diferença pouca: apenas um ano. Nossa amizade era grande, desde o tempo de criança.

Quando éramos garotos, em Simão Dias, estudamos no Grupo Escolar Fausto Cardoso, brincamos de bola de gude, peteca, jogamos castanhas nos buracos de bica das casa de platibandas; e, no Aloque – onde funcionava o curtume Sidon de tio Paulo - saboreávamos caldo de cana produzido ali mesmo, em um pequeno engenho movido por um jegue. O melhor mesmo era pescar lambaris e aratanhas no riacho Caiçá, que passava por trás da casa sede do Aloque.

Ainda muito novo, em companhia de seus pais, Heraldo veio morar em Aracaju. Nos encontramos aqui, no Ginásio Jackson de Figueredo, em 1957, ele cursando um ano letivo na minha frente. Concluiu o Ginásio em 1959. Naquela época, passávamos as férias em Simão Dias, e participávamos dos eventos da cidade.


Todos os anos, na festa de Santana, padroeira de nossa terra, era costume o encontro familiar. Sempre os primos se reuniam no bar do Abrigo, na Praça Matriz, e alegria era estampada no rosto de cada um. Com seu passamento, Heraldo será recebido pelos queridos parentes que já partiram para outro plano, especialmente pelos sempre lembrados primos que se reuniam nas datas festivas da terra berço: Zé Carlos de tio Sininho, Marcelo de Zilda e Washington de Lindonor.

Beto e Heraldo em Simão Dias=1958


Heraldo trabalhou como executivo em várias empresas e, com sua formatura em Direito, dirigiu também com sucesso seu escritório de advocacia. Certa vez, fazendo uma visita ao seu escritório, informei-lhe que pretendia fazer um curso de licenciatura para ser professor. Ao me ouvir,  dissuadiu-me daquela ideia e despertou-me o estímulo para o estudo de Direito, fazendo-me lembrar do que me orientava meu pai nos velhos tempos. Não desperdicei aqueles conselhos.


Heraldo Déda - Foto de seu site no Facebook


O querido primo e amigo Heraldo nos deixou, mas tornou-se imortal em nossas lembranças.

Que o bom Deus o receba no reino celestial e que conforte seus queridos filhos e netos.

Aracaju, 17-08-2023

Beto Déda

terça-feira, 18 de julho de 2023

QUEM SABE (Tão longe, de mim distante...)


 

Uma canção inesquecível

 

A minha inquieta memória vagueia no tempo... e hoje relembro, com muita saudade, uma canção que era muito apreciada nos velhos tempos, cujo título é: “QUEM SABE” (Tão longe, de mim distante...).

 

Trata-se de uma música composta por Carlos Gomes em parceria com o sergipano Bittencourt Sampaio. Esse ilustre sergipano foi advogado, poeta e espírita, destacando-se como médium de cura e perseverante divulgador da doutrina.

 

E para não esquecer, repasso para os parentes e amigos essa emocionante canção, interpretada por Francisco Petrônio e Dilermando Reis (divulgada pelo site “ limiarespirita” e disponível no YouTube).

 

Aracaju, 18/07/2023

Beto Déda