quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Um medicamento, as garotas e o fofoqueiro Miudim.

 

 

Embora eu tenha uma boa memória, não sou muito bom em decorar o nome de medicamentos. Recentemente, fui a uma farmácia e pedi um Netflix. O farmacêutico olho-me desconfiado e disse que Netflix era um serviço de transmissão de vídeos, não negociado na farmácia. Então, indaguei se tinha algum diurético com nome parecido. O senhor riu e perguntou se me referia ao Lasix, indicado para baixar a pressão arterial. Confirmei e, enquanto aguardava o atendimento, percebi que uma moça, ao lado,  solicitava um estimulante de apetite e auxiliar no ganho de peso.  O interesse da daquela jovem por tal medicamento disparou em minha memória uma lembrança dos velhos tempos. É o que conto agora para os amigos.  

Nos anos 60, em Simão Dias, um medicamento tornou-se muito conhecido, cujo nome comercial era Postafen, por seu  efeito em abrir o apetite e aumentar os glúteos. O fato é que os estímulos previstos nesse remédio, incentivava alguns rapazes a fofocar, preconceituosamente, sobre algumas garotas que ostentavam partes salientes do corpo, associando o aumento do bumbum ao uso do referido medicamento

Naquela época, nas tardes de domingo, a rapaziada se reunia na Praça da Matriz para ouvir a retreta da Lira Santana e paquerar as garotas que passeavam na calçada em redor da praça. Ali, alguns fofoqueiros, ao ver uma garota gordinha, com o bumbum saliente, diziam em voz baixa: Lá vem a Fulana Postafen...”.

Foi justamente nesse contexto que ocorreu um fato que ficou gravado em minha memória.  

Duas moças passeavam tranquilamente e recebiam galanteios da rapaziada, quando se ouviu um inesperado gracejo de um misógino, ao notar que uma delas tinha o bumbum notável. Em voz alta, para que todos ouvissem, apontando com sorriso maldoso para uma delas, disse: "Essa certamente abusou do uso de Postafen". 



Imagem imaginária gerada no site Gemini por Inteligência Artificial - feita por uma conterrânea amiga.
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Não esperava o gaiato que receberia um resposta contundente da amiga da vítima. Era uma moça esperta, inteligente e desinibida, tanto que não teve receio de encarar o ofensor com palavras explosivas, quase o nocauteando. Com o dedo em riste, protestou, mais ou menos nos seguintes termos:

“Você é mentiroso! Minha amiga não usou tal remédio; mas sei que você tomou e o efeito foi terrível para parte de seu corpo de machão, que você muito se gaba. Você tomou o medicamento para aumentar o tamanho de sua preciosidade. Mas aconteceu o contrário: tornou-se menor,  miudim...miudim... quase invisível...” E fazendo um gesto de desprezo, afirmou: “Já me disseram que seu pingolim é menor que isso!”. E, gargalhando,  mostrou o dedo mindinho...

Não é pouco lembrar que o fofoqueiro amarelou, calou-se, envergonhado. E logo depois percebeu que sua ofensa voltou como um bumerangue: passou a ser conhecido nas conversas miúdas da rapaziada como Fulano Miudim!

Depois dessa, o linguarudo passou a se resguardar. Não mais lhe importava saber a razão ou circunstância que engordou ou fez crescer o bumbum de garotas. Não lhe interessava se foi ou não o efeito do medicamento, ou se foi mudança na alimentação, ou a realização de bons exercícios. Nada de piadas, passou a ficar caladinho, com receio de nova carga sobre seu miudim...

Na verdade, a lembrança que ficou desse fato foi a resposta arretada da amiga da garota e o beiço caído do envergonhado Miudim.

Mas também não esqueci e tenho saudade das simpáticas garotas daquela época: alegres, esbanjando sorrisos, belíssimas!

Um viva para elas!

Aracaju, 13/08/2026

Beto Déda




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